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SE CALHAR VOU FICAR SÓ, SEM NINGUÉM...


Numa habitual manhã de sábado no consultório, uma reflexão talvez comum a homens, também por uma questão sociocultural, mas cada vez mais presente nas mulheres, relativamente ao conhecer alguém com o propósito de ter uma relação amorosa: "Acho que para ter uma mulher que goste de mim tenho de ganhar muito dinheiro e não sei se vou conseguir ter o status necessário. Se calhar vou ficar sozinho, sem ninguém que goste de mim."


Perante o receio de não conquistar e ser amado, colocam-se questões que nos podem condicionar e fazer sentir que não somos merecedores de ser aceites por amigos, colegas de trabalho, grupos aos quais gostaríamos de pertencer e, por último ou em primeiro lugar, pela pessoa que gostaríamos que gostasse de nós.


Podem acontecer vários tipos de situações quando sentimos que não reunimos as "qualificações" que percecionamos como "necessárias" para nos conectarmos com o outro:


  1. Criamos um mundo próprio e, gradualmente, vamos cultivando um isolamento que afirmamos ser uma característica própria e uma preferência, até porque não temos tempo a perder com frivolidades, tantos são os interesses pessoais que se fundem com o desejo de crescer enquanto pessoas e profissionais. Ostentam-se os possíveis sinais para o reconhecimento pelo grupo, para marcar a pertença, o que implica muitas vezes trabalhar arduamente para sentir que temos tudo o que é necessário e outras tantas vezes, esperar que algo mude e que a sorte nos alcance.

  2. Adotamos um "low profile" que nos retira os holofotes de cima, passamos para a plateia e começamos a assistir o desenrolar das histórias no palco, desejando no nosso íntimo, estar lá, ser o protagonista e desempenhar um papel importante na vida das outras personagens.

  3. Arranjamos forma de nos destacar pela diferença, singularidade, irreverência, que nos torna pessoas fora do padrão comum, o que justifica naturalmente a exclusão ou a rejeição e, dando simultaneamente um sentimento de pertença ao grupo dos incompreendidos, rebeldes, loucos e ousados, que afinal pontuam de cor os ambientes mais formais.

Entre outras formas de dar resposta ao medo de não sermos amados, respeitados e aceites, talvez estas sejam muito frequentes e responsáveis por nos impedir de revelar a nossa identidade e, por isso, ser aceites por aquilo que somos e representamos.


Ter a coragem de nos elevarmos, adotar comportamentos coerentes com os valores que defendemos, afirmar o que nos agrada e desagrada, gerir a frustração de existirem pessoas que não se querem relacionar connosco, procurar ativamente a verdadeira "tribo", que pode ser diferente daquela em que crescemos ou vivemos, faz parte de um processo de desenvolvimento que assenta:

  1. No conhecimento de quem somos e de quem queremos ser;

  2. No que estamos dispostos a aceitar e no que não queremos definitivamente ter na nossa vida;

  3. Na coragem de nos revelarmos nas qualidades e fraquezas;

  4. Na flexibilidade para aceitar as diferenças e aprender;

  5. Na serenidade para viver emoções mais difíceis, sabendo que também essas irão passar e dar lugar às que mais desejamos.

No final, importa cultivar um inquestionável amor por nós próprios, trabalhar as virtudes que nos levam a praticar boas ações, acreditar nos nossos objetivos e sermos vulneráveis. Tudo isto nos permite ser congruentes, ter comportamentos coerentes, sermos mais transparentes e resulta a verdadeira conexão com pessoas que nos apreciam, nos estimam, nos ajudam. A partir daqui vamos acreditar sem jamais duvidar que nunca, mesmo nunca, caminhamos sozinhos.




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