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SIGA A DIREITO NAS CURVAS

"Se alguma vez te acontecer teres de te modificar para agradar a outrem,

certamente perdeste o teu projeto de vida."

Epicteto


Uma vida adulta feliz depende tanto de um sentimento de pertença à família como da personalidade de cada um. A família é um núcleo que nos suporta em momentos tempestuosos, onde nos protegemos e aguardamos o momento em que os raios de sol começam a despontar.


Sucede que a necessidade de pertença muitas vezes compromete o caminho individual que conduz à plena realização, um sentimento de contentamento pelo crescimento pessoal e pelo contributo para o sistema em que nos inserimos, no seu mais amplo sentido.


O equilíbrio de uma relação amorosa é o eixo fundamental do equilíbrio da família, que é uma teia complexa de interações. O esforço feito, de forma consciente ou inconsciente, para manter o equilíbrio do casal e da família, pode, todavia, comprometer o equilíbrio individual, que é o verdadeiro núcleo de todo o sistema familiar.


Neste esforço, tantas vezes desmedido, de restaurar harmonia, perde-se a noção de quem somos, do que nos move, do que nos coloca um sorriso nos lábios e nos retira o cansaço mesmo em missões aparentemente impossíveis e esforços hercúleos, que nos fazem crescer e aumentar o nosso valor pessoal. Começa, assim, um trajeto em que perdemos gradualmente a alegria, em que nos deixamos abater pela rotina, que deixamos de ter respeito pelo tempo ao nos perdermos em tarefas paralelas e desgarradas dos objetivos que deveriam existir e serem o nosso farol na vida. Andamos aos ziguezagues, sem grande vontade ou energia. Não me canso de dizer que não há pessoas desmotivadas e sim pessoas sem objetivos próprios e entusiasmantes.


Quando se temem ou se evitam separações, que são já uma verdadeira morte anunciada de relacionamentos condenados a uma rotina em que as pessoas não se olham, não comunicam com o propósito de continuarem a apoiar-se, a descobrirem e viverem momentos de prazer em conjunto, estamos a condenar a felicidade individual e a harmonia de toda a estrutura familiar. Mais, estamos a comprometer o futuro, o nosso e do de quem depende de nós. O equilíbrio emocional do individuo compromete substancialmente a harmonia e a evolução do sistema onde interage. Quebra o flow evolutivo.


Voltar a olhar para nós próprios, para quem somos, para os nossos valores, para o que tem significado na nossa vida, para os nossos projetos individuais é determinante para mantermos ou recuperarmos a harmonia connosco. E se o preço for o quebrar de laços numa relação em que estes apenas existem no nosso imaginário, alicerçados nas vivências passadas e na estrutura social, pode valer a pena pagar e começar a andar a direito nas curvas da vida.


"Sê sabiamente egoísta."

Dalai Lama













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